20.7.18

A fiber conversation and a slow stitched embroidery case




If thought is a thread, then stitch might make it into something useful.
Stitch holds intention. Thought.



Aos poucos, assisto ao meu trabalho a tomar um rumo cada vez mais lento, mais meditativo, mais textural, mais sensorial. Se, em tempos, tudo era planeado antes de começar, agora sigo mais instintivamente uma conversa com o tecido, enquanto por ele faço passar a agulha, a linha a encontrar o seu lugar, a instalar-se, a firmar um pensamento, uma emoção... E, por vezes, pelo caminho, vou deixando materiais diferentes, que falam comigo a dada altura do processo, e que dão à peça ainda mais significado, tornando-a irrepetível...

Fiz este estojo para mim, para transportar o meu trabalho fora de casa.  Usei este modelo e aproveitei restos de tecidos de que gostava muito: um pedaço de algodão azul-água pintado de outros projectos, sobre o qual fiz um bordado à mão simples e bem lento; o resto de um algodão verde tie dye que era de uma mala; retalhos da minha segunda colecção; e, claro, algum linho com aquele cheiro natural a plantas de que eu gosto tanto.
Ao observar o conjunto dos tecidos escolhidos, as suas cores e matizes, o reflexo do branco sobre os verdes, algo me remeteu para lugares com água, lagos, charcos, canaviais... Talvez por isso, sem querer, tenha escolhido para o fecho um pedaço de madeira da minha colecção de objectos da natureza, e um cordão que fiz com a lã que sobrou desta camisola. E, enquanto estava a coser a madeira ao tecido, apeteceu-me tecer... o que acabou por resultar no meu detalhe favorito desta capa.

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Gradually, I watch my work taking a slower course, more meditative, more textural, more sensorial. If, in times, everything was planned before I started, I now instinctively follow a conversation with the fabric, while I make the needle pass through it, the thread finding its place, settling, consolidating a thought, an emotion... And, sometimes, along the way, I leave different materials that speak to me to a certain point in the process, and that give the piece even more meaning, making it unrepeatable... 

I made this case for myself, to carry my work outside. I used this pattern, and scraps of fabrics I particularly love: the rest of an aqua cotton I've painted for other projectswhich I then decorated with a very simple and slow hand stitching; a green tie dye cotton that used to be a bag; scraps of my second collection, and, of course, some linen with its natural smell of plants that I love so much. 
Looking at the selected fabrics as a whole, their colours and hues, the reflection of white on greens,  something reminded me of places with water, lakes, ponds, reeds... Maybe because of that, without even noticing, I've chosen a piece of wood, from my collection of nature found objects, for the closure, and a cord I made with the wool that is left from this sweater. And while I was stitching the wood to the fabric, I felt like weaving... what ended up being my favourite detail in this case. 







Ref.: el77

13.7.18

Custom order: journal and gadgets case







Fiz esta capa para uma encomenda personalizada, em linho petróleo. Usei este modelo, perfeito para transportar um caderno ou tablet, canetas, auscultadores e um carregador de telemóvel. Para a estampagem usei, entre outras coisas, folhas de hortênsias do jardim da minha mãe.

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I made this case for a custom order, in teal linen. I used this pattern, perfect to carry a notebook or a tablet, some pens, headphones and a phone charger. For printing I've used, amongst other things, hydrangeas leaves from my mother's garden.


Ref.: el76

11.7.18

Summer in the garden









Then the green rushes - O so glossy green,
The rushes they would whisper, rustle, shake, 
And forth on floating gauze, no jewelled queen,
So rich, the green-eyed dragon-flies would break
And hover on the flowers - aerial things;
With little rainbows flickering on their wings.

(Jean Ingelow)

5.7.18

♥ Woollen Hearted




O Instagram tem coisas bonitas, e uma delas é permitir-me encontrar pessoas especiais com as quais me identifico. Uma delas é a Fran, uma inglesa a residir na Bretanha, cujo modo de vida, coragem e resiliência, admiro muito, bem como o seu trabalhoescrita, profundos e cheios de propósito. Recentemente, ela criou uma série de videos muito bonitos sobre a sua grande paixão, a lã, o fazer devagar e a arte de fazer brinquedos. Este podcast é especialmente inspirador, mas recomendo que vejam os outros também.

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Instagram has beautiful things, and one of them is that it allows me to find special like minded people. One of them is Fran, a british woman living in Brittany, whose lifestyle, courage and resilience, I admire much, as well as her work and writing, profound and full of purpose.  Recently she has created a beautiful set of videos about her great passion, wool, as well as slow making and toy making. This podcast is particularly inspiring, but I recommend you watch the others as well.

2.7.18

About June




"(...) Pensando bem, certos processos não permitem variações. Uma vez que devemos ser parte integrante do processo, tudo o que podemos fazer é mudar-nos - ou porventura deformar-nos - a nós mesmos, através de exercícios repetidos à exaustão, e tratarmos de ir assimilando esses processos na nossa maneira de ser. (...)"

(Haruki Murakami, in Auto-retrato de um escritor como corredor de fundo)


Junho foi um mês bonito, cheio de cor. Mas talvez seja deste tempo incerto, ultimamente dou por mim ansiosa, como que a sentir este Verão envergonhado a escorrer-me entre os dedos. A sentir a sua fugacidade, como se ele pudesse terminar a qualquer momento ou ser muito mais curto do que estamos à espera. Creio que deve ser um pouco assim nos países que só têm alguns meses de sol e onde os Invernos são longos e rigorosos. Talvez seja isso que as plantas sentem quando chega o calor, e por isso se apressem a florir, a largar as suas sementes, e a murchar, tudo num espaço de tempo recorde. Esta ideia de Verão é, na verdade, muito mais do que dias de férias, sol e de praia. É toda uma serenidade que só nesta altura do ano me permite abrandar. É todo um conjunto de momentos, ritmos e hábitos que sei que vão mudar, com a chegada de Setembro (e com a ida, pela primeira vez, da Nina para a escola). É também, no fundo, a memória demasiado fresca de um Inverno muito longo que ainda há pouco tempo terminou, e a certeza de que num instante outro lhe irá suceder. 
Vou trabalhando diariamente esta ansiedade subtil, um pouco absurda, que me faz suster a respiração. Ainda me custa muito aceitar, deixar fluir, ser, simplesmente. Talvez esteja apenas a precisar muito de estar perto do mar, algo que já não faço há muito (demasiado) tempo!

Bem-vindo Julho, o meu mês!

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"I think certain types of processes don’t allow for any variation. If you have to be part of that process, all you can do is transform—or perhaps distort—yourself through that persistent repetition, and make that process a part of your own personality."

(Haruki Murakami, in What I Talk About When I Talk About Running)


June was a beautiful colourful month. But maybe because of this uncertain weather, I've been finding myself anxious lately, as I feel Summer escaping through my fingers. I can sense its fugacity, as if it could suddenly end, or be much shorter than we're expecting. I think maybe this is what people feel in those countries that only have a few months of sunlight in the year,  and where Winters are long and harsh. Maybe that's what plants feel when warm days arrive, making them rush to bloom, spread their seeds, and wither in a record time. This idea of Summer is, in fact, much more than days of vacation, sun and beach. They mean a calm that, only in this time of year, allows me to slow down. It's a whole bunch of moments, rhythms and habits that I know will change, as soon as September arrives (and, with it, Nina going to school for the first time). It's also, deep inside, the still very fresh memory of a so long Winter that ended not that long ago, and the certainty another one will soon follow. 
I'm working daily on this subtle, somehow absurd, anxiety, that makes me hold my breath. I still find it hard to accept, let it flow, just be. Maybe what I need is just to be by the sea, something I haven't done for a (too) long time!

Welcome July, my month!


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28.6.18

My grandparents house embroidered


Esta é a casa dos meus avós, na minha interpretação têxtil. Esta porta acompanha-me desde há muitos anos. Já a fotografei inúmeras vezes, já a desenhei, faltava bordá-la. Embora algumas coisas tenham mudado com o tempo, esta porta continua lá, sólida, vermelha, antiga. À volta, o jardim plantado pela minha avó, agora mantido pela minha mãe. Este quadro foi a minha prenda de aniversário para a minha mãe, como símbolo de algo que une diversas gerações na nossa família, e dos momentos felizes que temos passado naquela casa ♥ .

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This is my grandparents house, in my textile interpretation. This door has been with me for many years. I've photographed it endless times, I've drawn it, only an embroidery was missing. Though many things have changed over the years, this door is still there, solid, red, old. Around it, there's the garden once planted by my grandmother, now kept by my mother. This picture was my birthday gift to my mom, as a symbol of something that links several generations of our family, and of the happy moments we have spent in that house ♥.