31.1.23

About January - these mid Winter days


















Depois de semanas a fio com chuva incessante, Janeiro trouxe finalmente o sol de Inverno, aquele que me dá alento para suportar o frio e acreditar que um dia, não muito distante, a natureza vai acordar. Mais do que um novo recomeço, sinto que Janeiro nos congela no tempo, para nos obrigar a desacelerar, a sistematizar os hábitos que tanto queremos manter ou implementar, e a esquecer de vez o ano que passou. É como uma pausa para balanço, mais longa do que a meia dúzia de dias que normalmente estamos dispostos a perder para esse efeito. A cada ano que passa sinto que é um mês decisivo para me manter à tona, e viver os que se seguem com mais ou menos leveza. Sem dúvida que este sol reconfortante é uma grande ajuda, tal como os passeios pela natureza, pela cidade, ou os momentos de recolhimento no calor das mantas, a tricotar ou a desenhar, com o gato no colo. 
Bem-vindo Fevereiro!

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After many weeks of endless rain, January finally brought the Winter sun, the one that gives me courage to endure the cold and believe that, one day, not too far away, nature will awake. More than a new beginning, I feel that January freezes us in time, forcing us to slow down, to systematize the habits that we wish to keep or implement so badly, and to forget the past year once for all. It's like a pause for balance that ends up being longer than the half dozen days we're usually willing to spend for that purpose. With each passing year, I feel that this is a decisive month for me to stay afloat and to live the ones that follow with more or less lightness. This comforting sunshine is such a great help, as are the walks in nature and around the city, or the quiet cosy moments under the blankets, knitting or drawing, with the cat on my lap.
Welcome February!



19.1.23

Photoshoot: Pontos e Voltas 2022













Já vai sendo uma espécie de tradição eu de vez em quando passar para detrás da câmera e fotografar o trabalho da Ângela Quaresma. No Outono passado voltámos a juntar forças para registar a nova colecção de mitenes da Pontos e Voltas, e algumas peças que ela criou. O cenário foram as margens do rio Lis numa manhã cinzenta, mas bonita, daquelas em que há pouca gente na rua e podemos esquecer que estamos no meio da cidade e concentrar o ouvido nos pássaros e na água a correr.

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It has become some kind of tradition for me to go behind the camera from time to time and shoot Ângela Quaresma's work. Last autumn, we gathered once more to register Pontos e Voltas' new collection of mittens, and some garment pieces she had created. The scenery was Rio Lis on a gray but beautiful morning, one of those when there are few people on the street and you forget you are in the middle of the city and just listen to the birds singing and the water running.



::: Other collaborations between Mundo Flo and Pontos e Voltas:
Photography
Handmade work

11.1.23

My sketchbook








Os registos já são antigos, mas faltava organizar por aqui. Páginas soltas dos meus cadernos de desenho, rabiscos, estudos para peças, momentos de meditação. Tenho muitas saudades de desenhar!

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Old sketches that were missing around here. Loose pages from my sketchbooks, doodles, studies for projects, moments of meditation. I miss drawing so much!

30.12.22

About 2022






"A felicidade é um estado especial que só pode existir se incluir no seu seio uma certa dose de infelicidade, por muito paradoxal que possa parecer. Sem desequilíbrio, nada se move. Um círculo está em constante desequilíbrio. É bom para fazer andar os carros. Os quadrados não têm essa possibilidade. já estão bem assim, sentados à lareira, a sublinhar a sua hombridade, a sua estrutura sólida. Não são felizes, são produtos industriais saídos de uma máquina de fazer quadrados. A vida é um desequilíbrio e, sem essa instabilidade e assimetria, teríamos apenas um vazio de pedra. A vida que o meu pai desejava. Mas a vida que vale a pena ser vivida precisa do desequilíbrio. De viajar. De abrir janelas."

(Afonso Cruz, in Princípio de Karenina)




A vida não muda ao virar do ano. Nem com as resoluções de ano novo. Mas a cada passagem, é importante olhar para trás, para ver o caminho até então traçado, que não se vislumbrava no olho do furacão. A cada ano aprendo mais alguma coisa, cresço mais um bocadinho, mesmo que cada crescimento contenha as suas dores e cicatrizes. Carrego cada uma delas comigo como parte do meu mapa pessoal, fazem parte de mim, dão-me dimensão e substância. 
 
Se há palavra que descreve o meu ano de 2022 é (auto)CURA. Não uma cura perfeita ou definitiva, nem um processo encerrado, muito pelo contrário, um início. Ciclos que se encerram, outros que se iniciam, sobrepostos e conviventes, que se misturam, que vêm e vão. Que tocam diversas dimensões da minha vida e do meu ser, em diferentes proporções variáveis e intermutáveis. Sempre me debrucei sobre assuntos de saúde e bem-estar e sempre procurei aperfeiçoar-me. É algo que faz parte de mim e me motiva. Mas este ano aprendi que aquilo que pode ser uma vantagem e um ponto forte, pode ser também a minha maior debilidade, se atravessar demasiado a fronteira da busca da perfeição e da estabilidade. Nada na vida é definitivo, ou estático. E com a saúde é igual. Somos seres em contacto permanente com o meio que nos rodeia, e com ele interagimos. Tudo muda, e o segredo da adaptação está precisamente nessa capacidade. Este ano trouxe-me o confronto com alguns medos de frente, muita dor e vulnerabilidade, solidão dentro de mim própria e alguma desesperança. Percebi o quanto as minhas emoções e pensamentos me afectam e podem prejudicar, física, emocional e energeticamente. Aprendi mais sobre a minha velha amiga ansiedade e sobre os meus gatilhos. Por outro lado, percebi que tenho uma força dentro de mim proporcional a tudo isso, que eu julgava perdida, o que me trouxe um poder enorme. Porque se me render e confiar, tenho também em mim tudo o que preciso para me superar e curar. Este ano cuidei de mim como nunca tinha feito antes. Mudei a alimentação, recuperei o movimento, voltei a nadar! Aceitei-me mais, e mudei a minha mentalidade. Experimentei pensar no melhor, para variar. Nem sempre, não para sempre. É um exercício diário longe de estar dominado. Faz-se de disciplina, altos e baixos, perdão e tolerância. Este é só o começo... 

No trabalho mantive-me à tona. Talvez a minha intervenção mais importante tenha sido ao nível da recuperação de roupa e aproveitamento de desperdícios. Mas aos poucos fui percebendo o quanto me tenho afastado da minha liberdade criativa e o quanto preciso de abrir espaço para ela. Felizmente nos últimos tempos foi o que fiz, e o resultado não podia ter sido melhor. Se há algo que quero manter para o próximo ano, é essa intenção. Seguir mais a minha vontade e o que me inspira no momento. Mesmo que tenha de aceitar menos encomendas, e errar mais. Quero encher a loja de coisas novas e experimentar ideias há muito em standby

Quero fazer do próximo ano um lugar de maior leveza, mais vida e alegria. Mesmo no meio do caos, dos tempos difíceis, quero ter a capacidade de ter sempre uma luz acesa dentro de mim. 
Obrigada por estarem desse lado. Que o novo anos vos traga essa luz também, sempre viva e brilhante!

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Life doesn't change at the turn of the year. Not even with New Year's resolutions. But at each passage, it is important to look back, to see the path so far traced, which could not be seen in the eye of the hurricane. Every year I learn something more, I grow a little more, even if each growth contains its pains and scars. I carry each one of them with me as part of my personal map, they build me, they give me dimension and substance.

If there's a word that describes my year 2022, it's (self) HEALING. Not a perfect or definitive cure, nor a closed process, quite the contrary, a beginning. Cycles that end, others that begin and mix, overlapping and coexisting, that come and go. Cycles that touch different dimensions of my life and my being, in variable and interchangeable proportions. I have always focused on health and well-being issues and have always sought to improve myself. It is something that is part of me and motivates me. But this year I learned that what can be a strength can also be my greatest weakness, if it crosses too much the boundary of the pursuit of perfection and stability. Nothing in life is final or static. And with health it is the same. We are beings in permanent contact with the environment that surrounds us, and with it we interact. Everything changes, and the secret of adaptation lies precisely in this ability. This year brought me face to face with some fears, a lot of pain and vulnerability, loneliness within myself and some hopelessness. I realized how much my emotions and thoughts affect me and can harm me, physically, emotionally and energetically. I learned more about my old friend anxiety and my triggers. On the other hand, I realized that I have a force within me that is proportional to all of this, that I thought was lost, which brought me an enormous power. Because if I surrender and trust, I also have everything I need to overcome and heal. This year I took care of myself like never before. I changed my diet, reconquered movement, began swimming again! I accepted myself more, and changed my mindset. I tried to think of the best for a change. Not always, not forever. It's a daily exercise far from being mastered. It's about discipline, ups and downs, forgiveness and tolerance. This is only the beginning...

At work I stayed afloat. Perhaps my most important intervention was in terms of recovering clothes and making use of waste. But little by little I realized how far I've been moving away from my creative freedom and how much I need to make room for it. Fortunately, lately, that's what I did, and the result couldn't have been better. If there's one thing I want to keep for next year, it's that intention. To follow what inspires me at the moment. Even if it means having to accept fewer custom orders and make more mistakes. I want to fill my Shop with new stuff and try out ideas that have been on hold for a long time.

I want to make the next year a place of greater lightness, more life and joy. Even in the midst of chaos, difficult times, I want to be able to always have a light on inside me.
Thank you for being on that side. May the new year bring you that light too, always vibrant and alive!






Handmade lately



Ref.: fc03


Ref.: el99


Ref.: bn128



Estes são os últimos registos de 2022:

- Um cinto uterino irmão deste, desta vez em linho acorn e linho alentejano cru. O tema foi novamente as plantas medicinais para a saúde da mulher. Gostei muito do resultado nesta cor, mais natural.

- Uma capa de livro que fiz para mim, na verdade já há bastante tempo, mas que ainda não tinha partilhado aqui. Este foi um dos primeiros bordados que fiz para a Soul Garden Collection, e por algum motivo apeguei-me bastante a ele, e nunca o transformei numa peça para venda. Entretanto, acabei por fazer dele uma capa para o meu diário e assim posso tê-lo sempre por perto.

- Uma almofada caracol que fiz para o meu primo mais novo, com restos de linho de outros projectos. Foi um trabalho muito intuitivo, sem grande planeamento, mas que me deu muito prazer fazer.

- Uma gata amigurumi que fiz no Natal para a Nina, algo bastante fora da minha zona de conforto. Usei este esquema da Lex In Stitches, que foi muito fácil de seguir mesmo para alguém com pouca experiência como eu.

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These are the last records of 2022:

- A womb wrap brother of this one, this time made with acorn linen and ecru Alentejo linen/cotton. The theme was, once again, medicinal plants to women's health. I really liked the result in this more natural palette.

- A book cover that I made for myself, in fact a long time ago, but hadn't shared here yet. This was one of the first embroideries I did for Soul Garden Collection that, for some reason, I got pretty attached to, so I never turned it into a product for sale. Meanwhile, I ended up turning it to a cover for my journal, and now I can have it near me all the time. 

- A soft snail toy that I made for my youngest cousin, using remnants of linen from other projects. This was a pretty intuitive project that I made without much planning, but I really enjoyed the whole process.

- An amigurumi kitten I made for Nina this Christmas, something very out of my comfort zone. This is a pattern by Lex In Stitches, which was very easy to follow, even for someone without much experience like me. 

29.12.22

Shop update - Note to self bracelets II






Esta foi a segunda fornada de pulseiras que fiz, depois do sucesso das primeiras que desapareceram num ápice. A maioria também já foi vendida, mas ainda há duas disponíveis, vejam na Loja quais. Além das pulseiras, deixo também o registo de um marcador de livros que fiz por encomenda, e dos embrulhos que usei para as pulseiras, feitos a partir de papel que veio a embrulhar outras encomendas, para um Natal mais sustentável. 

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This was the second batch of bracelets I did, after the huge success of the former ones, which sold out in no time. Most of these are already gone as well, but there are a couple left available, just check in the Shop which ones. Besides the bracelets, I'm also sharing a bookmark I custom made, and the wrapping paper I used for the bracelets, made from paper that came with other packages, for a more sustainable Christmas.

27.12.22

Custom made quiet book





Esta foi provavelmente uma das coisas mais fixes que fiz até hoje: um quiet book, um livro têxtil sensorial cheio de detalhes para brincar, para a bebé de uns amigos. Ainda que não planeie fazer este tipo de artigos para vender (os brinquedos para criança têm que se lhe diga), era algo que sempre quis experimentar (muitas artesãs me vão compreender), e quando a Nina era pequena não tive a disponibilidade nem a energia para o fazer, os anos foram passando e os bebés à minha volta crescendo, por isso, desta vez, não quis deixar escapar a oportunidade. Foi tão divertido planear tudo e pôr depois em prática!

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This was probably on of the coolest things I've ever done: a quiet book, a textile sensory book full of details to play with, for a friends' baby. Though I don't plan to make these books for sale (children's toys are complicated to sell), this was something I've ever wanted to try (many makers will relate) and when Nina was younger, I hadn't had the time nor the energy to make one, so years passed and babies around me grew up, so this time I couldn't let the opportunity slip away again! It was so much fun to plan everything and give it life!