Tenho pensado muito no que significa ser adulto. Diferente de maior de idade, algures entre adolescentes e velhos, imagino que ser adulto seria um estado que se atinge quando se sabe tomar conta de si próprio, tomar decisões, saber o que fazer...
É fácil perceber quando temos crianças pequenas à nossa responsabilidade ou alguém que de nós depende, nessa altura as fronteiras ficam claras e fazemos o que é preciso, avançamos sem questionar, vamos à luta.
Mas quem somos, supostos adultos, quando se trata de cuidar de nós, quando sobra tempo para tal? Não seremos de novo crianças pequenas com todas as necessidades emocionais inerentes, de conforto, segurança, carinho e colo? Então, no fundo, não seremos nós crianças o tempo todo que simplesmente se mascaram de adultos para desempenhar papéis, mas cujos medos permanecem, interrogações, inseguranças, carências? Haverá afinal uma fronteira que se atravessa de uma vez que nos permite sermos soberanos da nossa vida e nos dá essa certeza de saber o que andamos cá a fazer? Seremos velhos antes de sermos adultos, alguma vez o seremos?
Entro hoje nos 47 com mais perguntas, e por mais que os anos passem, a cada passo que dou elas somam-se e raramente se anulam. Anseio por mais leveza, mais confiança, mas a vida também traz mais peso e mais dúvidas, e a busca é por vezes desgastante. Agarro-me ao que me faz bem, aos meus, ao amor, à minha fé na vida e nas aprendizagens que cá vim receber. Mas as perguntas permanecem e sinto que talvez nunca venha a ser verdadeiramente adulta. Nem sei se quero...
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I've been thinking a lot about what it means to be an adult. Unlike being of legal age, somewhere between adolescence and old age, I imagine that being an adult is a state that is reached when you know how to take care of yourself, make decisions, know what to do...
It's easy to see when we have young children under our responsibility or someone who depends on us; at that moment, the boundaries become clear, and we do what is necessary, we move forward without questioning, we go into battle.
But who are we, supposed adults, when it comes to taking care of ourselves, when we have time for it? Aren't we once again small children with all the inherent emotional needs for comfort, security, affection, and cuddling? So, deep down, aren't we children all the time, simply dressing up as adults to play roles, but whose fears, questions, insecurities, and needs remain? Is there, after all, a boundary that can be crossed once and for all that allows us to be sovereign over our lives and gives us that certainty of knowing what we are doing here? Will we be old before we are adults, will we ever be?
I turn 47 today with even more questions, and no matter how many years pass, with each step I take they accumulate and rarely disappear. I long for more lightness, more confidence, but life also brings more weight and more doubts, and the search is sometimes exhausting. I cling to what makes me feel good, to my loved ones, to love, to my faith in life and in the lessons I came here to learn. But the questions remain, and I feel that perhaps I will never truly become an adult. I don't even know if I want to...













