É curioso como tantas vezes voltamos ao princípio, depois de voltas e voltas a percorrer caminhos de vida.
Este post é sobre aquilo que, da primeira vez, me fez pegar nas lãs, nos tecidos e nas agulhas, e começar a criar esta marca que tanto sou eu. Primeiro veio o material, a criatividade livre, a vontade de fazer algo de novo. E com os anos (já são muitos disto, mais de 20) o processo inverteu-se, passei a traçar planos, a desenhar primeiro, a pensar colecções, conceitos. O manual puro foi sendo passado para a última fase, e está tudo bem, muitas vezes é assim que deve ser, que diz a lógica, a razão e o planeamento. Mas com isso também há algo que se perde, a liberdade quase infantil de ver as coisas pela perspectiva do potencial infinito, de sentir o que os materiais têm para nos dizer. Ultimamente tenho sentido uma grande necessidade de descomplicar, de deixar que o meu lado mais caótico, mais solto e feliz, se expresse de novo, sob o risco da magia se perder. Sem planos, sem ter de ser vendável, coerente, estratégico.
Estas pregadeiras tão simples e pequeninas são muito mais do que isso, são o meu grito de revolta num mundo demasiado racional, demasiado orientado para o consumo, a venda e as tendências. São puros momentos de pausa perante a necessidade de ser produtiva ou responder a demandas. São a minha brincadeira preferida e fazem-me tão bem!
E que alegria poder fazê-las para que a linda loja do meu querido Alentejo, a Gente da Minha Terra, as possa espalhar pelo mundo fora! 🙏♥️
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It's curious how often we return to the beginning, after many twists and turns in life's journey.
This post is about what, the first time, made me pick up the yarns, the fabrics and the needles, and start creating this brand that is so much a part of me. First came the material, the free creativity, the desire to do something new. And over the years (many of them, more than 20) the process reversed; I started to draw up plans, to sketch first, to think about collections, concepts. Pure manual work was relegated to the last phase, and that's fine, often that's how it should be, that's what logic, reason, and planning dictate. But with that, something is also lost: the almost childlike freedom to see things from the perspective of infinite potential, to feel what the materials have to tell us. Lately, I've felt a great need to simplify, to let my more chaotic, freer, and happier side express itself again, at the risk of losing the magic. Without plans, without needing to be marketable, coherent, or strategic.
These simple, tiny brooches are so much more than that; they are my cry of protesto in a world that is too rational, too focused on consumption, sales, and trends. They are pure moments of pause from the need to be productive or meet demands. They are my favorite playtime and make me feel so good!
And what a joy to be able to make them so that the beautiful store in my beloved Alentejo, Gente da Minha Terra, can spread them around the world! 🙏♥️


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