"Fico sempre impressionado quando vejo a chuva cair no mar, chego até a emocionar-me. Isto ocorre-me provavelmente porque o oceano permanece inalterado para todo o sempre - ou quase todo. A água do mar evapora-se em nuvens e, por sua vez, estas produzem chuva. É um ciclo sem fim. E, dessa forma, a água do oceano é constantemente substituída. Contudo, o oceano como um todo nunca muda. O mar é sempre o mesmo mar. É uma substância tangível e, em simultâneo, uma ideia pura e absoluta. Talvez seja este género de solenidade que me acomete quando olho para a chuva que cai sobre o mar. "
(Haruki Murakami, in "A cidade e as suas muralhas incertas")
De todas as imagens sobre a vida, a do oceano infinito onde nos fundimos, ao invés de combatermos, é aquela que mais me toca. Talvez porque ao observá-lo, persiste a sensação de que tudo o que parece enorme se dissolve no todo a que pertenço... Uma ideia apaziguadora, que me põe no meu lugar e me sussurra que está tudo como deve estar.
Março trouxe-me muitas marés agitadas e foi preciso repetir este mantra diariamente, "não temas as ondas, sê o oceano, be the ocean... be the ocean... "
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Of all the images about life, the one of the infinite ocean in which we merge, instead of having to protect ourselves from, is the one that touches me the most. Perhaps because when observing it, I get the feeling that everything that seems enormous dissolves in the whole I belong to... A soothing idea that puts be in my place and whispers me everything is as it should be.
March brought me many turbulent tides and I had to repeat this mantra daily, "do not fear the waves, be the ocean, be the ocean... be the ocean..."
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